quinta-feira, dezembro 25, 2008

Retrato de Fazenda

Inda terra seca pra ará
Sinhôzinho diz que vê chuva no céu
Gado dorme de sede pra num acordar

Mininu que chora no berço
Ama de leite acudir
Leite seco não mata fome

O sol vai deitar
Acende a fogueira
Música, dança e alegria
Não todo dia

Na grande casa
Silêncio.

domingo, dezembro 21, 2008

Juízo Final

Eu já comi as passas
E devorei a maçã proibida
Que não era o fruto
Mas era fruta de matar vontade

E no fim sem encontrar juízo
Todos se vão
Resta apenas Deus em seu silêncio
Assistindo o silêncio de sua criação.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Orquestra

E as vozes que me cantam
Contam probabilidades sonolentas
Na melodia do futuro
Acordes repetidos e gastos

Platéia já cansada
Ronca e completa o tom
Eu, bobo da corte
Finjo pose de maestro

terça-feira, dezembro 16, 2008

Não há mais peças
Não há mais passos
Nem correrria
Nem barulheira
Ficou o tédio.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Conversas com o pôr-do-sol, inspiram poesias

Conversei com o pôr-do-sol
Ele me contou sobre o teu desejo de anoitecer
E se foi

Até hoje não sei
Se sorria ou se chorava, o sol
Ainda havia muita luz
Para que eu percebesse qualquer coisa

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Coruja Branca

Na noite somente eu via
A coruja branca que rasgava o céu
Em direção à lua cheia

Havia um piado agudo
Anunciando morte
Num beco escuro
Um grito de horror

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Prelúdio da Incerteza: Dor, incerteza e música...


24 de Outubro, 2007

Não irei prometer o que não posso cumprir, acaso estará brincando comigo? Deixe a minha voz fluir, acaso ri dos meus medos? Será que brinca com a minha incerteza? Se soubesse quão frágil é meu coração, o quanto a minha natureza é pessimista e pudesse sentir o poder da influência da minha mente. Por que ri da minha insegurança? As incertezas já mataram rosas no passado. Não me faça segredos tão cruéis, não me deixe na companhia do tempo. Sinto a presença feroz da loucura, sinto falta de ar, o meu coração parece afogar-se em medos infundados. Será que ainda há esperança para mim. Não posso acreditar nessas vozes abissais, meu equilíbrio está perturbado, minha dor não é física. Acumulo rios salgados em mim, a loucura não me permite desabafo. Não gosto de me sentir tão frágil. Não sinto dor física, acho que não sinto mais nada. Cresce em mim um vazio temeroso. Uma palavra sua me conduz ao céu ou ao inferno. Não me tire o coração que me confiou, meu coração não sabe o que é bater sem a presença do seu. Não tenho sono e você me ordena dormir, você não lerá uma palavra. Troco essa minha dor interior por uma dor de carne. Uma palavra sua pode me salvar ou sacrificar. Temo por aquela futura rosa. Preciso acreditar que há esperança. Preciso acreditar que sou paranóico, e na verdade irá dizer que me ama e eu poderei dizer sem medo todo o sentimento que percebo agora em mim, eu não sabia que já estava tão grande a futura rosa. Sinto você mais importante que nunca. Quero acreditar na esperança, direi todo o meu sentimento em um beijo. Por que ri da minha incerteza? Acaso faz pouco do meu coração que esqueceu tão rápido do frio da solidão? Estou com medo, aquecido tenho medo do frio. Parece que o tempo congelou aqui. Direi mais uma vez independente do futuro, direi nessas palavras. Eu te amo...

Espero que não pela última vez.

...

Se existe a desistência
Também existe a decepção
E só

sábado, dezembro 06, 2008

Ponto de vista

Quanto mais eu cresço
Mais as pessoas me parecem pequenas
Crianças como eu
E não existem adultos

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Então é Natal?

Na mata de sonhos e concreto
Até as árvores são feitas
De fios e luzes,
Piscantes ou não


segunda-feira, dezembro 01, 2008

Pequena Reflexão Sobre as Cegonhas

De onde vem os bêbes?

Um encontro fugaz
De mãos nevorsas
E botões(de roupa) complicados

Dor de cabeça...

domingo, novembro 30, 2008

Gota

Gota
Quando
eu sou o vento
Sei da chuva irmã minha
E quando eu sou eu mesmo
O vento é meu amigo e a chuva
É minha amiga, o céu escureceu
Por minha causa, ainda é tempo
De sentir saudade, vai chover
Eu clamo, chuvisca em gotas
Chove em gotas, uma gota
Se atreve a cair e cai
Molha o corpo
Adormece.

sexta-feira, novembro 28, 2008

Bem que Bandeira falou

Do lado
A padaria mercado

Assava o pão...

Todos passavam
Viam e não viam
O novo adorno
Que enfeitava a calçada

Eu
Criança anestesiada
Vi e não vi

Adormecia ou morria
Rosto colado no chão
Um homem.



" O bicho meu Deus
Era um homem"

quinta-feira, novembro 27, 2008

Flores Tardias

Fim de primavera
Alguns botões permancem,
Intactos

Início de verão
Algumas rosas desabrocham,
Atrasadas

E eu,
Observo
As flores tardias.

E o véu da mulher...

terça-feira, novembro 25, 2008

Idéias soltas de um pensar qualquer...

Eu não me adéquo
Nem tomo chá
Nem uso chícara

Qualquer fumaça
Desinteressa

Seja café
Chaminé
Ou baseado

sexta-feira, novembro 21, 2008

No canto

Um ar de menino,
Acanhado...

Fora do seu lugar
O olhar observa o estranho
Fora do seu solo
O corpo sustenta-se sentado
E quieto


domingo, novembro 16, 2008

Homenagem ao tédio

Eu só posso ser tediante
Caso contrário
De onde viria tanto tédio?

Tenho perdido o tempo
Vivido momentos tolos
Sem fala, sem ação

Tenho pensado em dúvidas
Tangenciando curvas
Em caminhos vãos


sábado, novembro 15, 2008

O tempo hoje

O tempo fez ares de sapeca
Resolveu se esconder de mim
Pulou, correu e fez careta
Sorriu como o gato de Cheshire
E feito gato felino
Desapareceu

sexta-feira, novembro 14, 2008

Caindo na Real

Eu detesto cair
Chocar-me no chão da realidade
Prefiro viver ilusão
Inventar sonho acordado
No útero da insanidade

Um brinde!

Vamos brindar ao amor
Simples e não idealizado
Ao amor frágil, jovem, criança incerta
Que brinca de ser mentirinha

Que para os olhos dos outros
Parece ilusão
Parece pressa
Fora de tempo e foco

Ao amor que apesar de incerto
Nunca será ilusão
Para aqueles que o sentem

Ao amor semente
Que de semente
Já é amor.

quinta-feira, novembro 13, 2008

Lembrança de olhos e lua

Dias de lua cheia
Até a menina dos olhos
Se transformou

Botões agora são rosas
Nada além de perfume distante

Dias de sentir saudade
De pensar no tempo
E pesar lembrança.

terça-feira, novembro 11, 2008

Julgam alguns serem borboletas, sensações...


Gosto daquele ar sedutor
Das sensações provocadas
Ondas de frio e calor

Gosto de todo o perigo
Da atração persistente
Nascida do inexplicável

segunda-feira, novembro 10, 2008


A vida segue seu curso
O destino da laranja
É ser,ao fim, bagaço

sábado, novembro 08, 2008

Entre rosas e espinhos

Eu viverei entre as rosas
Mesmo que desafiado todos os dias
Por teus espinhos afiados

Se esse for o preço a pagar
Por seu inevitável perfume

E enquanto houver perfume
Não haverá nem sangue nem dor
Em minhas feridas abertas.

sexta-feira, novembro 07, 2008

Falar só

Resta somente eu
Nesse jogo torto
De promessas
Vazias

Silêncio
Palavras poucas
Quase um monólogo
Eu falo demais

Nesse jogo
Todos os fantasmas
São ausentes

Não falo de sensações.

Já eu sinto
Talvez errado
Há quem suponha na incerteza
Um talvez certo
Assim sou eu
Sinto

Sensações são palavras complicadas
É melhor não saber
Independente do querer,
Fingir

Talvez eu saiba dos anseios
Pode ser que eu não queira admitir
Pode ser que você tenha razão
Talvez eu não queira saber

Independente do querer,
Fingir.

terça-feira, novembro 04, 2008

Auto-definições

Sou o conteúdo
Que compensa a aparência
Sou o olhar
Que compensa os olhos simples

Sou os fragmentos de alma
Que completam as personalidades opostas
Sou o rio que corre
E as águas nunca são as mesmas

Sou a poesia infinita
De palavras soltas
Sou o embaralhar da voz
Da fala acelerada

Sou mutável e inconstância líquida
Sou controle e resistência sólida
Sou o muita coisa
Que implica em quase nada.


segunda-feira, novembro 03, 2008

Ensaio sobre uma poesia

Há sempre um modo ou mil
De esquentar aquele espaço
Cheio e vazio
Que existe em nós

E o que é o sorrir?
Além do ocultar em si
A dor que arde ingênua
E congela o íntimo

E o que é o sorrir?
Além do inventar sútil
Dom de produzir
Aquecedor de almas.

domingo, novembro 02, 2008

Mulheres e Flores

E então as mulheres são flores
E dentre as flores existem flores
Por onde passo
Para que eu possa ver
Para que se possa haver
Tão somente
Encanto.

sábado, novembro 01, 2008

Datas


Quando as datas passaram a ser importantes?
De início não eram
Até que eu quis saber
De quando vinha aquele passado


De vez em quando ainda esqueço
A importância das datas
Mas sempre gosto de saber
De quando vem o meu passado.


23 de outubro de 2008

Fim de tarde
Um pássaro no telhado
Observando o céu

Eu questionava:
Lembranças amarelas são eternas
Ou se desfazem como pétalas?

 

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