quarta-feira, dezembro 09, 2009

Cascas de Banana

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Arrependimento

A dor é maior
Quando tudo termina
Já no final

E o que é feito de eterno
Faz-se de areia e vento
Em beira de praia

Pois toda promessa de sal
Desconhece o finito das coisas
Que advirá.

sábado, novembro 28, 2009

Muitos Assuntos ou Nada

Então havia vontade
E depois de meia hora
Nenhuma idéia
Nenhuma palavra.

segunda-feira, novembro 16, 2009

Sobre brilho





Um brilho que cegava meu olhar. Um brilho que sossegava meu desejo. Ou será que só fingia afagar para que crescesse em silêncio?
Para que crescesse longe do meu saber e quando eu me desse conta estaria a ponto de ser devorado por essa vontade, essa vontade que me persegue quando penso em você.
Quando eu comecei você não passava de uma idéia, uma dessas coisas que servem somente para agradar o olhar. Agora você me cega, me cega e disfarça meu desejo para que me domine.
E ele cresce. Cresceu longe do meu saber, quando me dei conta havia sido digerido por ele. E agora o que sou, o que sou após a digestão?
O que sobrou de mim?
Eu ainda procuro você, assim como o inseto que procura a luz. A luz que me cega e engana. A mesma luz que me deixa embriagado e novamente como um inseto eu rodopio. Rodopio do céu ao inferno e tombo. Agonizo no chão, como posso não suportar tanta luz? Como posso procurar o que me flagela?
É um vício? Deixei que se tornasse um vício em mim, essa idéia é tão tola. Tudo me parece tão trivial. É estranho ver o mundo rodopiar, é estranho ou engraçado rodopiar no ar.
Embriagado, mas meus sentidos ainda continuam vivos. Agonizo e me levanto do chão, só para decolar novamente. Só para me banhar da sua luz, novamente. Eu sou desses ciclos, não sou? Esses giros abertos, como o voo de abelhas, como se desejasse falar alguma coisa.
Quando eu comecei isso aqui eu não pensava em você. Trata-se de uma idéia tão tola, tão trivial. No fim das contas eu pareço um bobo, não é o que eu sempre fui? O bobo da corte.
No fim das contas eu volto a rodopiar. Eu vejo o mundo virar nessas horas, eu entendo coisas, só nessas horas. Eu vejo o mundo girar, eu vejo você rodopiar. Você dança?

sexta-feira, novembro 13, 2009

Ser

Sou olhos, boca
Mente e ouvidos
Por todo o corpo




O que queres de mim?

domingo, novembro 08, 2009

Sobre areia e passos

Novamente
Este
Solo infértil

Cada passo que eu dou levanta uma nuvem de areia, é inevitável. Eu não consigo enxergar nada, não sei o que me aguarda. Posso estar a três passos de um abismo, ou quem sabe eu esbarre num oásis. Fartarei-me de tâmaras e matarei a minha sede ou não precisarei mais.

É inevitável caminhar, é inevitável toda essa neblina. Há também a tempestade quando eu durmo e me soterra de areia. Não sei como ainda consigo respirar debaixo de tanta areia. Há quanto tempo eu vivo debaixo de areia. Será que eu nunca respirei, será que sempre vivi fugindo?

Não me diga para voltar, cada passo que eu dou levanta uma nuvem de areia que me cega. Não me diga para voltar, não vê? Eu não sei de onde eu vim. A areia encobriu os meus passos, há algo em meu passado que eu queira esconder? Há algo que eu nunca tenha escondido?

Eu sou uma fraude, eu sempre fui o rei do castelo de areia. Meu solo sempre foi infértil, por isso eu fugi?

Cada passo que dou levanta areia e me cega. Eu parei de caminhar lá trás. Meu corpo tornou-se um cacto, minha alma uma flor...

terça-feira, novembro 03, 2009

E o vento...

...sopra
Como a quem soprasse uma flor

quinta-feira, outubro 22, 2009

Sobre distância e curiosidade

É mais fácil observar o que está perto dos olhos, não é? É também maior o risco de perder-se em confusão. A curiosidade não tem fim quando trata-se apenas do observar. Perto o suficiente para que mais de um sentindo possa enebriar-se. Perto o suficiente para a possibilidade do tato.

As mãos se aquecem como se ansiosas iniciassem uma espécie de preparação. Até que distancia é possível resistir à gravidade. Até que ponto a mente permanece sã. Não sei, ao certo, onde a loucura se disfarça de ovelha. Não sei, ao certo, até onde eu desejo ser o lobo.

Talvez eu seja o cordeiro com alma lupina. Há um ponto que eu sinto as feras brigarem em mim. São mesmo barras de ferro que me prendem? O que faria o felino em uma horas dessas?

Quando os pensamentos contaminam, mesmo que bem diluídos, os sonhos, é sinal que eu devo acordar.

É sinal que os olhos devem-se afastar, é sinal que o olhar deve morrer a míngua.

A curiosidade, no entanto, mesmo distante, é imortal se amordaçada...





segunda-feira, outubro 19, 2009

nha

Eu tenho escrito coisas chatas, eu sei. Bom que eu tenha um lugar para escrever o que sobra e o que eu não aceito como bom, é também para isso que serve isso aqui.

Eu tenho escrito coisas boas, às vezes, e não tenho vontade de postar, quando houver paciência, haverá palavras.

quinta-feira, outubro 08, 2009

...³

"Depois", é sempre uma desculpa
Que me lembra o sempre
Ou me lembra o nunca

domingo, setembro 27, 2009

Ovo do incógnito




14 de semtembro,2009

O infinito nunca perde seu estado embrionário.

É em um dos quatro cantos do universo que eu cuido do ovo do incógnito. Faço de linhas, rios de palavras soltas. Faço de palavras, idéias e as fragmento.

Escrevo como alguém que escreve ao vazio. Escrevo como alguém que guarda uma esperança tola. Não poderia ser diferente, mudar é apenas fingir esquecer o que se é. Eu irei me lembrar de todas as faces que posso ter. Lembrar de toda a loucura que foge ao olhar.

Todos temos segredos, todos rasgamos bem os nossos papéis. É preciso tomar conta de toda migalha.

Tudo que vejo aqui é o caos, como num espelho d'água. Sempre turvo o reflexo fala o que eu mesmo ensaiei.

Onde existem rosas existem também serpentes e algo que dorme entre espinhos e perfume. Meus campos de rosas são inferno e paraíso. Há o perfume que seduz, há os espinhos que repelem.

Poder sentir e não poder tocar, o coração apreende a melodia de todas as canções. A flauta já não é tão doce, na melodia não existem lágrimas...

sexta-feira, setembro 18, 2009

Sem problemas
Não tenha pressa
Eu tenho a vida inteira para morrer.

sexta-feira, setembro 11, 2009

Sobre vozes

Eu só ouço murmúrios, nada que me tire desse meu estado de letargia. As vozes são desinteressantes eu pouco me sinto curioso aqui.

A grama do vizinho brilha de tão verde, eu ainda converso com formigas, agora eu sou também uma formiga.

O perfume da rainha já não me hipnotiza, eu já não ouço as ordens. Eu só ouço murmúrios de desinteresse.

É como se eu afundasse aqui, perdido... o que eu ia dizer mesmo?
Esqueço as palavras, elas fogem de mim.

Eu só ouço murmúrios, os mesmo barulhos dissonantes de sempre. Será que essa música nunca para? E esses gritos, são meus? Depois de tanto tempo eu ainda não sei.

Alguma coisa me chama, mas não importa.

murmúrios...

sexta-feira, setembro 04, 2009

Sobre o início

Eu estava lá antes mesmo de existir. Antes de qualquer coisa, antes do tempo, antes das invenções. Antes mesmo de haver o Caos, havia a minha essência e não havia nada.

Eu vi tudo acontecer, nada pode sugir do nada e nenhuma coisa pode ter sempre existido. Eu não existia.

Eu vi o homem inventar deuses e Deus, eu vi Deus inventar o homem. E não há ordem nisso, não há cronologia, nem antes nem depois, muito menos aconteceu ao mesmo tempo, pois não havia tempo.

Então existiu o tempo, e foi aí que o mundo começou a girar.

Então eu também existi, eu era somente olhos e sentimento. Eu sentia o mundo e observava qualquer coisa, eu também fui vento quando tudo era tão quente.

Eu já vi bem mais de mil coisas acontecerem de mil formas diferentes, eu já vi demais dos humanos. Já vi como se movem, como são previsíveis.

Então eu cansei de observar, resolvi experimentar a dor de ser concreto.

O mundo não mudou nada, eu vi o ciclo se repetir, o começo e o fim culminam na boca da serpente.

Eu já me acostumei...

quarta-feira, setembro 02, 2009

Sobres os meus pedaços

Com o tempo eu acabei esquecendo umas partes de mim pelo caminho. Os dias passaram e pareceu que algo do meu jeito de ser foi ficando somente na lembrança, como se eu houvesse mudado. Não, eu não mudo, eu apenas esqueço de mim.

Outro dia eu observava, mais um dia eu observava.

Outro dia eu observava as formigas. Eu reconheço as formigas enquanto formigas, mas será que as formigas enquanto pessoas me reconhecem enquanto formiga? Me reconhecem enquanto humano?

Eu tive saudade de mim, então resolvi percorrer o caminho de volta. Não! Retroceder jamais, apenas catar meu pedaços, quiçá montar escultura pós-moderna. Eu estou nas minhas buscas vazias só para ter motivo em acordar.

Em sempre fui de buscas vazias, eu sempre gostei de dormir.

Outro dia eu pensei sobre os seres invisíveis, como eu. Sabe? As criaturas invisíveis esquecem de sua própria inexistência, tanto que do alto de sua insignificância se julgam alvo de todas as vozes. Os seres invisíveis são paranóicos, mas não há medo, há desejo.

Acho que vou voltar a escrever do meu jeito de antes, sem perder muita coisa, sem ganhar muita coisa. Cruzar as linhas.

Ainda questiono a mesma coisa de posts atrás.

terça-feira, setembro 01, 2009

Sobre isso e aquilo.

Além dos olhos
Uma beleza sussurra
C O N V I D A T I V A
Além dos olhos
Uma beleza provocante
Perturba dimensões
E umedece de vermelho subitamente
Tem então, a libélula dos meus olhos,
Lábios para se perder.

segunda-feira, agosto 24, 2009

...²

Além dos olhos
Há o vermelho
e mais...




Outro dia eu explico

sexta-feira, agosto 14, 2009

Sono

Eu só queria dormir mil anos

Mas se é preciso sangue

Que eu me alimente de cinzas e sangue

E que eu não sinta sono

Sempre de olhos abertos

Eu como a noite e devoro estrelas

E de barriga cheia

Sorvo a Via Láctea em um gole

E apago a luz.

terça-feira, agosto 11, 2009

Para que?
Se eu escrevo ao vazio.

sábado, julho 25, 2009

Anjo de Cera


11 de Maio, 2009


Onde estão as asas do tempo

Que adormece no ninho?

Onde estão as minhas asas?

Eu que não adormeço


Será que as flores podem voar?

Será que pétalas são asas de anjo?

Anjos comem pétalas de rosa

Eu mastigo espinhos


Eu que caí das alturas

Paguei pela vida

Com preço de asas


Eu que estou preso ao chão

Despedaço minha vida em penas

E confecciono asas de cera

Vulneráveis ao dia


Eu que só vôo a noite

Eu que me transformo em noite

A lua, para onde voam as efêmeras,

Não machuca asas de cera


Eu que não tenho asas

Persigo estrelas

Eu que sou anjo de cera.


quinta-feira, julho 09, 2009

Então Falou a Caveira

Dessa minha parcela de ser
Ser ou não ser
Possuem o mesmo signo

Do pandemonium das confusões
Questões perpassam e não morrem

Da nossa fadiga psicológica
sentir ou saber
Faz toda a diferença(ou não?)

Dos três que vieram a mim
perpétua ou passageira
Aquilo se manifesta

Da relevância do meu próprio ser
Ser ou não ser
Não tem importância.

segunda-feira, junho 01, 2009


Sou filho do encontro de nuvens
Sou trovão, chuva, vento e tempestade
Sou também relâmpago e luz
Sou filho de Tupã, meu pai.

segunda-feira, maio 18, 2009

Grunhidos

Segunda metade de Abril, 2009
I

Quando protegido não sinto medo
Quando despido o medo é
Mas seja em pêlo ou armadura
Nunca tenho medo de ter medo

II

Não existem verdades
Somente mistério inventado
Metade de um segredo
Três idéias sobre quatro


III

Ainda que visível
Insignificante
Essa é a verdadeira invisibilidade

quinta-feira, maio 07, 2009

Chove



Pés encharcados
A chuva me impede de ir
Onde eu não quero
Mas preciso

Cai sobre mim
Violenta
Para me dar um beijo

Acaricia o meu rosto
Gélida
Eu ao meu ar de vento
Sopro

Cai a chuva e acaricia
Violenta e gélida
Eu a amo.

domingo, abril 19, 2009

Isso não é uma poesia




10 de setembro,2008

Nem sempre eu vou esperar o tempo
Se o tempo não souber me acompanhar
Eu sigo louco feito vento
sem momento nem lugar

Transcendo as horas num instante
Ando em passos desiguais
E dos segundos dissonantes
Invento notas musicais

Da rima do meu inverso
Subverto minhas idéias
Da magia do pensar incerto
No avesso das poesias.

quarta-feira, abril 08, 2009

Poema a duas mãos

- Até a verdade é uma ilusão
- Até a ilusão é uma verdade


(Ari & Rafiki)

quinta-feira, abril 02, 2009

Cheirando como outro alguém.

A intimidade confunde os cheiros. Não é algo que aconteça por causa de meia dúzia de encontros.Requer certo tempo, um algo de romance, de constância. Não é sobre sentimento, é sobre pele, não trato do obstrato agora.

A intimidade confunde os cheiros. Quando o corpo esquece do seu próprio odor, quando há o costume.Repetição, o cérebro acaba por associar os cheiros. Não há lucidez nesse processo, mas um algo de confuso.


A intimidade confunde os cheiros. Então você está em casa, sozinho. O suor teima em molhar o teu corpo.Existe um cheiro, mas não é o seu. Não pode ser...


O cheiro dela está em mim.

domingo, março 22, 2009

Não há muita coisa na noite quente
Restam lembranças
E sobram vontades.

terça-feira, março 10, 2009

Nascer Poeta

Deus é mais nascer poeta
Essa raça estranha
Que lamenta em versos
Que chora em si maldição de anjo

Que nasce torto
Que cresce esquerdo
Um tal de "gauche"

Deus é mais nascer poeta
Crescer canhestro
E nem se endireitar

Aquele ar de culto
Do entender das coisas
E além do mais
Eu nem sei francês.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Eu e Você

Relia todos os meus textos, e encontrei dois que gostaria de compartilhar, um ficará aqui o outro no Sonhadores Radicais, ambos de 2006.



26 de Agosto, 2006

Não sei quanto tempo mirei o espelho até ver refletida você. Você está mim. Não sei há quanto tempo estou aqui, mas essa música me acalma. Eu posso sentir você crescendo em mim. Não há mais motivos para chorar. Você preservou minha alegria, me presenteou com um sorriso, me re-ensinou a sorrir. Você fez o meu sangue fluir e trouxe de volta o meu corpo. O tempo lúcido passou depressa e me mostrou você. O tempo me uniu a você. E num piscar de olhos uma frase se transformou em beijo. Um rubor invisível tocou-lhe a face e se transformou em beijo. Você ouviu minhas palavras. Eu tento escutar no silêncio o seu coração. Faz-me segredos dos pensamentos que não posso ler. Em meus pensamentos só você. Nunca estou sozinho, agora estou com você. Tenho medo que me esqueça. Poderia também estar pensando em mim? Vontade lúcida de estar com você. Instantes loucos sem te ter. Num segundo atemporal ainda fitamos aquele céu azul. Não vai chover, estamos juntos. Posso enxergar seu rosto no arco-íris da garoa. Entre brumas, sonhos e realidade existem apenas eu e você. Entre mitos, histórias e notícias só me importam eu e você. Entre noites, luas e estrelas brilham mais eu e você. Entre linhas, amarras e cordões, eu estou ligado a você.


Permaneceremos eu e você até quando desejar. Ou até que inventem o tempo, pois junto a ti o tempo pára, eu me torno atemporal...

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Palavras Roucas

04 de Novembro, 2008

E as pessoas se comunicam? Palavras não são como armas, apesar de possuírem a propriedade das flechas já bem discutida em outras conversas.
As pessoas nem falam nem escutam. Seja por medo ou por vaidade. O ser humano nem sabe de si, impossível acreditar que se pode conhecer o outro. As pessoas falam, mas não contam o que se passa no íntimo, lá onde as palavras são mudas. Falam apenas de banalidades, dissertam sobre a futilidade de suas manhãs, somente palavras roucas. Qual a razão desse medo? Ainda não descobri de que nascente brota tanta insegurança, será que escondem tesouros? Não, as pessoas não falam.
As pessoas escutam, no entanto são barulhentas por dentro. Qualquer palavra é incapaz de refletir em seu interior. Se não há silêncio, não há audição. Também já foi discutido em outra conversa esses termos. Não, as pessoas não escutam.
Não existe fala sem palavras verdadeiras, não existe reflexão sem silêncio.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Sangue seco, lembrança

Palavras no escuro apagadas. Não que eu seja nostálgico, mesmo porque o passado não é incrível, mas algumas noites eu sou a lembrança. E passo. Perpasso em pensamentos antigos meio empoeirados nas quinas de minha cabeça, lá onde as vassouras da rotina não conseguem alcançar.

Palavras invadem sem permissão, palavras são sempre fotografias. Organizando os meus textos eu saboreio memórias. Saboreio olhares passados e devoro rosas. Eu já escrevi tanto sobre olhares, mais do que era seguro e sobrevivi. Eu já escrevi sobre ninfas, eu já esmaguei rosas e acariciei espinhos. Já sangrei em palavras, agora tenho memórias em palavras secas, feito sangue amarelo.

Palavras nunca adormecem, são sempre como leões recém capturados da selva. Felinos selvagens e garras. Não cutuquem palavras com vara curta, elas saltam em você e inundam o coração.

Eu já nadei em lágrimas represadas, palavras já foram de água e sal.

Eu já fui artesão, palavras já foram barro.

Palavras são sempre barro, arte e fotografia...


 

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