quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Eu e Você

Relia todos os meus textos, e encontrei dois que gostaria de compartilhar, um ficará aqui o outro no Sonhadores Radicais, ambos de 2006.



26 de Agosto, 2006

Não sei quanto tempo mirei o espelho até ver refletida você. Você está mim. Não sei há quanto tempo estou aqui, mas essa música me acalma. Eu posso sentir você crescendo em mim. Não há mais motivos para chorar. Você preservou minha alegria, me presenteou com um sorriso, me re-ensinou a sorrir. Você fez o meu sangue fluir e trouxe de volta o meu corpo. O tempo lúcido passou depressa e me mostrou você. O tempo me uniu a você. E num piscar de olhos uma frase se transformou em beijo. Um rubor invisível tocou-lhe a face e se transformou em beijo. Você ouviu minhas palavras. Eu tento escutar no silêncio o seu coração. Faz-me segredos dos pensamentos que não posso ler. Em meus pensamentos só você. Nunca estou sozinho, agora estou com você. Tenho medo que me esqueça. Poderia também estar pensando em mim? Vontade lúcida de estar com você. Instantes loucos sem te ter. Num segundo atemporal ainda fitamos aquele céu azul. Não vai chover, estamos juntos. Posso enxergar seu rosto no arco-íris da garoa. Entre brumas, sonhos e realidade existem apenas eu e você. Entre mitos, histórias e notícias só me importam eu e você. Entre noites, luas e estrelas brilham mais eu e você. Entre linhas, amarras e cordões, eu estou ligado a você.


Permaneceremos eu e você até quando desejar. Ou até que inventem o tempo, pois junto a ti o tempo pára, eu me torno atemporal...

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Palavras Roucas

04 de Novembro, 2008

E as pessoas se comunicam? Palavras não são como armas, apesar de possuírem a propriedade das flechas já bem discutida em outras conversas.
As pessoas nem falam nem escutam. Seja por medo ou por vaidade. O ser humano nem sabe de si, impossível acreditar que se pode conhecer o outro. As pessoas falam, mas não contam o que se passa no íntimo, lá onde as palavras são mudas. Falam apenas de banalidades, dissertam sobre a futilidade de suas manhãs, somente palavras roucas. Qual a razão desse medo? Ainda não descobri de que nascente brota tanta insegurança, será que escondem tesouros? Não, as pessoas não falam.
As pessoas escutam, no entanto são barulhentas por dentro. Qualquer palavra é incapaz de refletir em seu interior. Se não há silêncio, não há audição. Também já foi discutido em outra conversa esses termos. Não, as pessoas não escutam.
Não existe fala sem palavras verdadeiras, não existe reflexão sem silêncio.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Sangue seco, lembrança

Palavras no escuro apagadas. Não que eu seja nostálgico, mesmo porque o passado não é incrível, mas algumas noites eu sou a lembrança. E passo. Perpasso em pensamentos antigos meio empoeirados nas quinas de minha cabeça, lá onde as vassouras da rotina não conseguem alcançar.

Palavras invadem sem permissão, palavras são sempre fotografias. Organizando os meus textos eu saboreio memórias. Saboreio olhares passados e devoro rosas. Eu já escrevi tanto sobre olhares, mais do que era seguro e sobrevivi. Eu já escrevi sobre ninfas, eu já esmaguei rosas e acariciei espinhos. Já sangrei em palavras, agora tenho memórias em palavras secas, feito sangue amarelo.

Palavras nunca adormecem, são sempre como leões recém capturados da selva. Felinos selvagens e garras. Não cutuquem palavras com vara curta, elas saltam em você e inundam o coração.

Eu já nadei em lágrimas represadas, palavras já foram de água e sal.

Eu já fui artesão, palavras já foram barro.

Palavras são sempre barro, arte e fotografia...


segunda-feira, fevereiro 16, 2009

( )

Esses dias eu tenho andando
Eu vi pessoas
Eu vi silêncio
Estão todos calados?


segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Indagações



(Mais que diálogos...)



Até onde diálogos sem assunto ou nexo podem provocar ciúmes? Até onde eu sou obrigado a compreender e a aceitar uma birra que me parece tão deslocada, tão fora foco. Até onde se pode culpar o sentimento?

Eu não sei. Sei que tive de excluir meu post anterior para evitar brigas, talvez lágrimas. Sei que tive de abrir mão mais uma vez daquilo que faz parte de mim, pelo bem de um relacionamento. Até onde é pelo bem?


É preciso sufocar para que o outro respire? Deixar de correr para que o outro, quem sabe, possa voar? Talvez eu deva deixar de sonhar para que ela possa dormir tranquila.

Até onde é permitido sentir ciúmes? Até onde eu sou teu? Até quando eu irei me sentir (des)confortável?

Até onde deixarei você ler?..


(... indagações.)
 

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