quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Sangue seco, lembrança

Palavras no escuro apagadas. Não que eu seja nostálgico, mesmo porque o passado não é incrível, mas algumas noites eu sou a lembrança. E passo. Perpasso em pensamentos antigos meio empoeirados nas quinas de minha cabeça, lá onde as vassouras da rotina não conseguem alcançar.

Palavras invadem sem permissão, palavras são sempre fotografias. Organizando os meus textos eu saboreio memórias. Saboreio olhares passados e devoro rosas. Eu já escrevi tanto sobre olhares, mais do que era seguro e sobrevivi. Eu já escrevi sobre ninfas, eu já esmaguei rosas e acariciei espinhos. Já sangrei em palavras, agora tenho memórias em palavras secas, feito sangue amarelo.

Palavras nunca adormecem, são sempre como leões recém capturados da selva. Felinos selvagens e garras. Não cutuquem palavras com vara curta, elas saltam em você e inundam o coração.

Eu já nadei em lágrimas represadas, palavras já foram de água e sal.

Eu já fui artesão, palavras já foram barro.

Palavras são sempre barro, arte e fotografia...


4 Fragmento(s):

Inguid disse...

As palavras podem nos libertar ou oprimir...

MaxReinert disse...

.... mas serão sempre palavras! Eu quero o jogo do corpo-a-corpo... Intenso e sutil... vivo! Real!

Fabrício disse...

A palavra é a melhor opressora e a melhor auxiliadora.

Abraços

Darlan Machado disse...

Purra.
Muito bom.
É um texto que eu gostaria de ter escrito.
Forte.
Valeu.

Postar um comentário

Fragmente-se e comente...

 

3/4 © 2008. Thanks to Blogger Templates | Design By: SkinCorner