quinta-feira, outubro 22, 2009

Sobre distância e curiosidade

É mais fácil observar o que está perto dos olhos, não é? É também maior o risco de perder-se em confusão. A curiosidade não tem fim quando trata-se apenas do observar. Perto o suficiente para que mais de um sentindo possa enebriar-se. Perto o suficiente para a possibilidade do tato.

As mãos se aquecem como se ansiosas iniciassem uma espécie de preparação. Até que distancia é possível resistir à gravidade. Até que ponto a mente permanece sã. Não sei, ao certo, onde a loucura se disfarça de ovelha. Não sei, ao certo, até onde eu desejo ser o lobo.

Talvez eu seja o cordeiro com alma lupina. Há um ponto que eu sinto as feras brigarem em mim. São mesmo barras de ferro que me prendem? O que faria o felino em uma horas dessas?

Quando os pensamentos contaminam, mesmo que bem diluídos, os sonhos, é sinal que eu devo acordar.

É sinal que os olhos devem-se afastar, é sinal que o olhar deve morrer a míngua.

A curiosidade, no entanto, mesmo distante, é imortal se amordaçada...





3 Fragmento(s):

Fabrício disse...

Powa, muito bom cara. Adorei o final sobre a curiosidade.

Você tem que inserir essas reflexões em personagens, em cenários descritos e apropriados... tem que escrever contos agora... O drama psicológico você vai montar bem, já se percebe.


abraços;
Fabrício

policarboneto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
policarboneto disse...

Linda reflexão...
chegar perto é ver a essência do que é real, e a realidade mata o sonho.O que a curiosidade impulsiona para que se veja, o sonho freia para que não nos decepcionemos.
Se quer saber a minha verdade é que, mais real que a realidade, mais perfeito que os sonhos é o sentimento, o puro sentimento, sem questionamento, sem ilusão, ser e só ser, me basta.
Mas obrigado por colocar em palavras o que eu apenas sabia...

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