domingo, novembro 08, 2009

Sobre areia e passos

Novamente
Este
Solo infértil

Cada passo que eu dou levanta uma nuvem de areia, é inevitável. Eu não consigo enxergar nada, não sei o que me aguarda. Posso estar a três passos de um abismo, ou quem sabe eu esbarre num oásis. Fartarei-me de tâmaras e matarei a minha sede ou não precisarei mais.

É inevitável caminhar, é inevitável toda essa neblina. Há também a tempestade quando eu durmo e me soterra de areia. Não sei como ainda consigo respirar debaixo de tanta areia. Há quanto tempo eu vivo debaixo de areia. Será que eu nunca respirei, será que sempre vivi fugindo?

Não me diga para voltar, cada passo que eu dou levanta uma nuvem de areia que me cega. Não me diga para voltar, não vê? Eu não sei de onde eu vim. A areia encobriu os meus passos, há algo em meu passado que eu queira esconder? Há algo que eu nunca tenha escondido?

Eu sou uma fraude, eu sempre fui o rei do castelo de areia. Meu solo sempre foi infértil, por isso eu fugi?

Cada passo que dou levanta areia e me cega. Eu parei de caminhar lá trás. Meu corpo tornou-se um cacto, minha alma uma flor...

1 Fragmento(s):

MaxReinert disse...

Nada melhor do que reconhecer a infertibilidade (hauhauha... inventei!)..... e buscar, em algum lugar água.... água nova!

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